Quando um meme passa a ter valor de marca
Nem todo meme vira ativo comercial. Mas alguns passam desse ponto muito rápido.
Foi o que aconteceu com a expressão “sabor energético”, que se popularizou a partir de conteúdos e entrevistas ligados a Toguro e à bebida da Mansão Maromba, ganhando forte repercussão nas redes e na cobertura de entretenimento e consumo.
Quando uma expressão sai do universo da piada interna, ganha reconhecimento público e começa a ser associada a produto, campanha ou identidade comercial, ela deixa de ser apenas uma brincadeira de internet. Ela passa a chamar atenção também no campo da propriedade intelectual.
Viralizar não garante exclusividade
Esse é o ponto que mais confunde quem acompanha casos assim.
Muita gente imagina que quem viralizou uma expressão automaticamente tem prioridade sobre ela. Mas no sistema de marcas isso não funciona dessa forma.
No Brasil, a discussão não gira em torno de curtida, alcance ou número de compartilhamentos. O que pesa no processo é o depósito do pedido e a análise de registrabilidade feita pelo INPI. O próprio instituto explica que a exclusividade depende do registro e que não se pode registrar marca muito parecida com outra já protegida para identificar produtos ou serviços semelhantes.
Em outras palavras, uma expressão pode estar na boca de todo mundo e, ainda assim, a disputa jurídica acontecer em outro terreno.
O caso ganhou outra camada com o INPI
Depois da explosão do meme, publicações especializadas em propriedade intelectual passaram a apontar, com base em consultas públicas ao INPI, a existência de pedidos envolvendo a expressão “Sabor Energético” protocolados antes ou durante a viralização.
Mais do que a curiosidade sobre quem pediu primeiro, esse detalhe tornou o caso interessante por outro motivo. Ele mostra como a internet corre em uma velocidade e o sistema marcário corre em outra.
Enquanto o público compartilha, comenta e recria um bordão, alguém pode estar olhando para aquilo como oportunidade de marca.
Só que pedir não é o mesmo que conseguir
Aqui entra um ponto que faz muita diferença.
Mesmo que exista pedido protocolado, isso não significa que o registro será concedido automaticamente. O INPI analisa se o sinal realmente tem força distintiva ou se ele cai em alguma proibição legal. O Manual de Marcas do INPI informa que sinais não distintivos, genéricos, vulgares, necessários ou descritivos não podem ser apropriados com exclusividade, justamente para evitar monopólio indevido sobre expressões de uso comum.
Além disso, o instituto também trata com restrição sinais ou expressões empregadas apenas como meio de propaganda.
Ou seja, o caso “sabor energético” é interessante por dois lados ao mesmo tempo. Ele mostra a importância do timing no depósito, mas também levanta a discussão sobre se a expressão tem ou não força suficiente para funcionar como marca.
O que esse caso ensina para empresas e criadores
O principal aprendizado não está apenas no meme em si. Está na velocidade com que um termo pode sair do entretenimento e entrar no radar jurídico.
Quando uma expressão começa a ganhar valor comercial, o ideal não é apenas repetir, divulgar ou tentar aproveitar o hype. O certo é avaliar se aquilo tem potencial de marca, se já existe pedido anterior, se o sinal é distintivo e qual risco existe de conflito no mercado.
Essa leitura faz diferença porque muitos negócios só pensam em proteção quando o nome já cresceu demais. E aí o espaço de manobra costuma ficar menor.
A internet acelera a tendência. O INPI exige estratégia
Esse tipo de caso é valioso justamente porque mostra um contraste importante.
Na internet, a lógica é velocidade. No INPI, a lógica é estratégia, documentação e análise técnica.
Quem olha para esse cenário apenas como viralização enxerga só metade da história. A outra metade está em entender quando uma expressão começa a deixar de ser só conteúdo e passa a ser um possível ativo.
Conclusão
O caso “sabor energético” mostra como um bordão pode sair do entretenimento, ganhar valor comercial e levantar discussões reais sobre marca.
Mais do que perguntar se o meme pode ou não virar registro, o ponto mais importante é entender que viralidade não substitui estratégia. No universo das marcas, prioridade de depósito e distintividade continuam sendo fatores decisivos.
Se você quer avaliar se um nome, expressão ou identidade tem potencial de marca e como proteger isso com mais segurança, a equipe da Perito Marcas e Patentes pode ajudar nessa análise com mais clareza.
Para falar com a Perito Marcas e Patentes, acesse o site oficial da empresa ou entre em contato pelo telefone e WhatsApp (11) 95785-2785.